CONCORDÂNCIA VERBAL

REGRA GERAL:

O verbo concorda com o sujeito em número (singular e plural) e pessoa (1ª, 2ª, 3ª).

Exemplos:

Eu amo
Tu amas
Ele ama
Nós amamos
Vós amais
Eles amam

O menino é estudioso.
As meninas são estudiosas.


CASOS PARTICULARES:

_ SUJEITO COLETIVO - é singular na forma, mas expressa ideia de pluralidade.

Exemplos:

povo, exército, grupo, turma, multidão, etc.

Assim:

1. O verbo ficará no singular se estiver junto do sujeito coletivo.

Exemplos:

O povo aplaudiu o prefeito com entusiasmo.
O exército argentino foi derrotado na guerra das Malvinas.
A turma estava agitada no dia da prova.

2. Se o verbo estiver distante do sujeito coletivo, ou se este vier seguido de palavra que mencione os elementos nele contidos, poderá o verbo ir para o singular ou para o plural, conforme se queira destacar
mais a ideia de todo ou a presença dos elementos que compõem o sujeito coletivo.

Exemplos:

O Conselho Universitário se reuniu, no Palácio do Planalto, e decidiu (ou decidiram) recomeçar os trabalhos.

O grupo de pivetes fugiu correndo, mais adiante, porém, foi preso (ou foram presos).

Um bando de pardais pousou (ou pousaram) naquela árvore ali.

Nesses dias modernos, uma imensidade de problemas nos aflige (ou nos afligem).

Uma turma de meninas cantava (ou cantavam) alegremente no clube.

Um milhão de jovens participou (ou participaram) da passeata.


_ É possível também que o sujeito seja formado por expressões de natureza partitiva como "boa parte de", "grande parte de", "o resto de", "a maioria de", "uma porção de", "metade de", "a maior parte de", etc., seguidas de um substantivo ou pronome no plural. Neste caso, igualmente poderá haver dois tipos de concordância.

Exemplos:

Grande parte das pessoas chegou (chegaram) cedo à festa.
A maioria delas estava (estavam) bem vestida(s).
Metade dos candidatos não apresentou (apresentaram) nenhuma
proposta interessante.

Nesses casos, quando se opta por empregar o verbo no singular, enfatiza-se a ideia de conjunto, expressa pelas palavras "grande parte", "maioria", "metade". Quando se opta por empregar o verbo no plural, salienta-se quem forma o conjunto.

quando as expressões "a maioria de", "a maior parte de", "boa parte de", "grande parte de", etc., vêm seguidas de especificador no plural e do pronome relativo "que", o verbo que vem depois desse "que" deve ser conjugado no plural.

Exemplos:

A maioria das pessoas que procuram os postos públicos de saúde ainda enfrenta (ou enfrentam) grandes filas.

A maior parte dos deputados que viraram senadores já tinha (ou tinham) muita experiência na vida política.


_ Quando o sujeito é formado por uma expressão que denota quantidade aproximada como "mais de...", "menos de...", "cerca de...", "perto de...", seguida de um número no plural, o verbo deve ficar no plural. Porém, se estas expressões vierem seguidas do numeral "um", o verbo obrigatoriamente vai para o singular.

Exemplos:

Mais de um jornal estrangeiro fez alusão ao Brasil.
Mais de dois jornais foram fechados em um ano.
Cerca de vinte pessoas estiveram no jantar.
Perto de dez carros envolveram-se no acidente.

Observação: Deve-se empregar o verbo sempre no plural quando este expressar ideia de reciprocidade ou quando a expressão "mais de um" vier repetida na frase.

Exemplos:

Mais de um sócio se insultaram.
Mais de um político agrediram-se no plenário.
Mais de um aluno, mais de um professor emocionaram-se com o
discurso do diretor.


_ Quando se tratar de nomes próprios, a concordância deverá ser feita levando-se em conta a ausência ou presença de artigo. Não havendo artigo, o verbo deverá ficar no singular; quando houver artigo no plural, o verbo ficará no plural.

Exemplos:

Estados Unidos cria e Brasil imita.
Minas Gerais produz queijo e poesia de primeira.
Alagoas impressiona pela beleza das praias e pela pobreza da
população.
(Formas preferencialmente empregadas nos títulos jornalísticos)

Os Estados Unidos determinam o fluxo da atividade econômica
no mundo.

As Minas Gerais são inesquecíveis.

As Alagoas nos revelam muitas mulheres bonitas.



PRONOMES RELATIVOS QUEM E QUE.

_ O pronome relativo "quem", normalmente, pede o verbo que o tem como sujeito, na terceira pessoa do singular. No entanto, o verbo pode concordar com a pessoa do sujeito antecedente, quando se quer fazer uma concordância enfática.

Exemplos:

Nunca te esqueças de que fui eu quem te apresentou ao
presidente.
"Mais tarde você descobrirá se fui eu quem menti."
Fui eu quem pagou a conta.
"Fui eu quem paguei aquela dívida enorme ."

_ Se o sujeito é o pronome relativo "que", o verbo concorda com o antecedente do relativo.

Exemplos:

Nós que ficamos e vocês que partem seremos sempre amigos.
Fui eu que falei a verdade naquela hora.
Foram eles que fizeram isso.
Fui aquela que morou na casa velha.


_ Quando o sujeito é o relativo "que", precedido das expressões "um dos...", "uma das...", o verbo deve concordar na terceira pessoa do plural.

Exemplos:

Eliane era uma das que mais desconfiavam de
nossa administração.
Um dos homens que mais lutaram pela soberania de
nossa pátria foi Barbosa Lima Sobrinho.

Observação: Por exigência lógica, existirão casos em que o singular será obrigatório. Exemplo: Chama-se "Gota d'Água" uma das peças teatrais de Chico Buarque que será encenada amanhã.


PRONOMES INDEFINIDOS OU INTERROGATIVOS NO PLURAL + DE NÓS, DE VÓS.

_ Quando o sujeito é formado de expressões constituídas de pronome indefinido ou inter-rogativo no plural, mais os termos "de nós", "de vós", o verbo vai para a terceira pessoa do plural (concordância mais lógica, na medida em que ela incide sobre o núcleo do sujeito, no caso o pronome da expressão). É possível, no entanto, o verbo concordar com os pronomes pessoais "nós e vós". Trata-se de um caso em que a forma verbal escolhida revela a posição do enunciador, do falante.

Exemplos:

Quais de nós (concluiremos) concluirão a faculdade?
Alguns de vós (viestes) vieram de bem longe.
Muitos de nós (deixamos) deixam a vida passar sem
produzir nada.
Quantos de vós (contribuístes) contribuíram para a melhoria
de vosso país?

Observações:

1. Com o pronome indefinido ou inter-rogativo no singular, como em "Qual de nós", "Qual de vós", "Qual de vocês", "Algum de nós", "Algum de vós", "Algum de vocês" ou casos semelhantes, o verbo deve ser flexionado na terceira pessoa do singular, porque o processo expresso pelo verbo só se refere a um elemento.

Exemplos: Um de nós te levará em casa após a festa; Qual de nós poderá afirmar isso diante do juiz?; Qual de vocês quer assumir a responsabilidade deste trabalho?; Nenhum de nós consegue resistir a essa tentação; Algum de vós deseja participar do jogo?; Algum de vocês conhece um caminho mais curto?; Nenhum dos jogadores quis comentar a atitude do árbitro.

2. Quando o sujeito é formado pelas expressões "cada um de nós", "cada um de vocês" e semelhantes, o verbo deve ficar no singular, imposto pela expressão "cada um", que está no singular.

Exemplos: Cada um de nós sabe o que deve fazer; Cada um de vós tem de procurar fazer a sua parte; Cada um de vocês poderá realizar o melhor possível.


SUJEITO DA VOZ PASSIVA PRONOMINAL E INDETERMINADO

_ O verbo apassivado pelo pronome "se" deve concordar com o sujeito que, no caso, está sempre expresso.

Exemplos:

Vendem-se casas (casas são vendidas)
Os planos desenvolvem-se (são desenvolvidos)
satisfatoriamente.

Observação: Quando os verbos "poder" e "dever" aparecerem na voz passiva sintética, como auxiliares de um infinitivo, duas construções serão possíveis, porque duas análises sintáticas também são possíveis.

Exemplos:

Não se podem cortar essas árvores.
(sujeito = ESSAS ÁRVORES; PODEM CORTAR = locução verbal, concordância
do verbo auxiliar PODER com o sujeito plural.)

Não se pode cortar essas árvores.
(sujeito oracional = CORTAR ESSAS ÁRVORES - oração subordinada
substantiva subjetiva reduzida de infinitivo - sujeito do verbo PODER
que deve ficar na 3ª pessoa do singular.)


_ Se o verbo for transitivo indireto, ficará na 3ª pessoa do singular, pois o "se", neste caso, não será pronome apassivador, mas sim partícula indeterminante do sujeito.

Exemplos:

Precisa-se de operários (e não precisam-se de operários)
Assiste-se a filmes bons naquele cinema.
Obedeça-se às leis.


CONCORDÂNCIA COM O SUJEITO COMPOSTO

_ Quando o sujeito de um verbo vier depois dele e for composto de vários elementos, o verbo concordará com o elemento mais próximo (concordância atrativa), podendo ficar no singular, ou poderá ir para o plural (Concordância lógica).

Exemplos:

De repente ouviu-se um estouro, um gemido, um grito de triunfo.
A minha alma é maior do que supõe: cabem nela amor de mulher,
afetos de filha e amizade de irmã.

_ Se os elementos do sujeito composto forem sinônimos ou formarem uma unidade de ideia, um todo no sentido, ou ainda estiverem organizados numa gradação, o verbo pode ficar na 3ª pessoa do singular para realçar a unidade de sentido ou o último elemento da série gradativa.

Exemplos:

A sua família, o seu lar era aquele em que fora recolhida.
A mágoa e a dor lhe ressuscitou o entendimento.
Somente o elogio e o incentivo constrói.
"Triste ventura e negro fado o chama." (Camões)
"Mas permite, Deus, que a maldade e a malícia ande encoberta." (Vieira)
A mesma ideia, o mesmo gesto, a mesma fala revelava a
personalidade daquela mulher.
Um grito, uma palavra, um movimento, um simples olhar
causava-lhe medo.

_ Sendo os núcleos do sujeito composto formados de verbos no infinitivo, o verbo da oração ficará no singular se esses núcleos não vierem acompanhados de elementos determinantes. Caso contrário, o verbo irá para o plural.

Exemplos:

Correr, cair e levantar foi um só movimento.
Comer e beber é necessário.
O comer e o beber são necessários.

_ Entretanto, se os núcleos infinitivos forem termos antônimos, o verbo da oração irá para o plural, mesmo que não possuam determinantes.

Exemplos:

Amar e odiar são sentimentos muito fortes.
Sorrir e Chorar fazem parte do show da vida.

_ Quando um sujeito composto é resumido por um aposto, o verbo concordará com esse aposto, estando ele no singular ou no plural.

Exemplos:

Carinhos, abraços, palavras de amor, NADA o consolava.
Alunos, professores, funcionários da escola, todos foram
homenageados.
"TUDO, os pastos, as várzeas, a caatinga, o mar milheiral
esquelético, era de um cinzento de borralho." (Rachel de Queiroz)
Capitão, marinheiros e passageiros, ninguém escapou com vida
daquele naufrágio.
Pai, mulher, filhos, cada um seguia seu caminho calado.

Observação: Se os núcleos do sujeito composto vierem antecedidos pelo pronome indefinido "cada", o verbo permanecerá no singular.

Exemplo: Cada professor, cada aluno, cada funcionário tinha sua reivindicação.

_ Se os elementos do sujeito forem de pessoas gramaticais diferentes, o verbo vai para o plural e deve ser flexionado na pessoa que tiver prioridade: a primeira sobre a segunda e esta sobre a terceira.

Exemplos:

Eu, tu e João somos amigos. (Eu, tu e João = nós)
Desejo que tu e teu marido sejais felizes. (tu e teu marido = vós)

Observação: Quando o sujeito composto é constituído de elementos da segunda e terceira pessoas, também é correto que o verbo vá para a terceira pessoa do plural.

Exemplos:

Desejo que tu e teu marido sejam felizes.
Estou torcendo para que tu e ele passem no concurso.
Acredito que tu e Ana passarão no vestibular.

_ Quando ocorre ideia de reciprocidade, a concordância deve ser feita obrigatoriamente no plural.

Exemplos:

Abraçaram-se vencedor e vencido.
Ofenderam-se o jogador e o árbitro.

_ Quando os núcleos do sujeito composto forem ligados pelas conjunções "ou" ou "nem", poderão ocorrer os seguintes casos:

1. O verbo poderá ficar no singular se estiver se referindo a apenas um dos núcleos do sujeito ou concordar com o núcleo mais próximo, apresentando uma ideia de equivalência ou de exclusão.

Exemplos:

João ou Miguel ocupará o cargo de presidente daquela empresa.
Nem Ana nem Márcia foi escolhida para ser a rainha do grêmio.
Ou você ou eu terei de resolver o problema.
Nem eu nem o diretor terá de viajar para São Paulo.

2. Se não houver ideia de exclusão, se houver ideia de dúvida (=retificação de número) e quando a conjunção "ou" tiver um caráter corretivo, a concordância dar-se-á preferencialmente no plural.

Exemplos:

O gerente ou o presidente da empresa podem assinar o contrato.
Dinheiro ou cheque resolvem o meu problema.
Nenhum gesto ou palavra do orador ofenderam a plateia.
Nem Pedro nem Paulo fizeram boa prova.
O Ladrão ou os ladrões invadiram o banco à noite.
O culpado ou os culpados pelo crime serão punidos.
A parte ou as partes contrárias entrarão em acordo.

3. Se houver ideia aditiva, o verbo deve concordar no plural.

Exemplos:

O pintor ou o escultor merecem igualmente o prêmio.
Futebol ou carnaval fazem a alegria do brasileiro.



Observações:

- Se o sujeito da oração for a expressão "um ou outro", normalmente o verbo permanecerá no singular.

Exemplos:

Um ou outro chapéu lhe ficava bem.
Um ou outro fato sairá amanhã nos jornais.

- No entanto, se a expressão for "um e outro", o verbo irá preferencialmente para o plural, sendo rara a concordância no singular;

Exemplos:

Um e outro chegaram cedo ao colégio.
Um e outro aluno entraram (entrou) na sala depois do diretor.

- A expressão "nem um nem outro" determina, geralmente, o verbo no singular.

Exemplo: Nem um nem outro candidato às próximas eleições compareceu ao debate na TV.

Atenção! Em verdade, não há uniformidade no tratamento dado a essas expressões por gramáticos e escritores.


_ Quando os núcleos do sujeito são unidos por expressões correlativas como "não só... mas também"; "não só... como também"; "não só... mas ainda"; "não somente... mas ainda"; "não apenas... mas também"; "tanto... quanto", o verbo concorda de preferência no plural.

Exemplos:

Não só a seca mas também o pouco-caso castigam o Nordeste.
Tanto a mãe quanto o filho ficaram surpresos com a notícia.


CASOS ESPECÍFICOS

_ VERBO SER

O verbo ser apresenta-se impessoal quando empregado em frases que se referem a horas, datas ou distâncias. Nestes casos, o verbo ser concorda com o seu complemento. No caso das datas, entretanto, a concordância será facultativa, se a palavra "dia" não estiver expressa.

Exemplos:

Que horas são?
É uma hora.
São duas horas.
É meio-dia e meia.

Que dia é hoje? (ou quantos são hoje?)
Hoje é (ou são) 31 de julho.
Hoje é dia 31 de julho.

É um quilômetro até minha escola.
São 400km do Rio até São Paulo.

Observações:

- Quando o verbo ser, nas expressões que se referem às horas, vem acompanhado por uma das seguintes locuções: "perto de", "cerca de", "mais de", tanto podemos empregá-lo na terceira pessoa do singular como do plural.

Exemplos:

Era perto de dez horas / Eram perto de dez horas

- Os verbos "dar", "soar" e "bater", em relação às horas, obedecem à regra geral da Concordância Verbal, isto é, estes verbos concordarão naturalmente com seu sujeito, em número e pessoa.

Exemplos:

Davam seis horas no relógio da Central.
(seis horas = sujeito do verbo dar)
Soaram dez horas quando saí do baile.
Bateu Meia-noite na torre da igreja.


Quando sujeito e predicativo têm números diferentes, existem duas tendências para a concordância do verbo ser:

1. empregar o verbo no plural (tendência mais frequente);

2. no singular, quando se quiser dar ênfase ao sujeito.

Exemplos:

A Pátria são todos os seus cidadãos.
Meu destino eram estradas que tinha de palmilhar.


Quando o sujeito é nome de pessoa e o predicativo é substantivo comum, o verbo SER concorda no singular com o nome de pessoa.

Exemplos:

Chico Anísio era as duas coisas: ator e diretor.
Fernando Pessoa é vários poetas.

Observação: Quando, no entanto, se deseja dar ênfase aos elementos constitutivos do predicativo, o verbo SER poderá concordar com ele.

Exemplo: "Santinha eram dois olhos míopes, quatro incisivos claros a flor da boca." - Machado de Assis.


Quando o sujeito ou o predicativo forem pronome pessoal, com ele concordará o verbo; porém, se ambos forem representados por pronomes pessoais, o verbo concordará obrigatoriamente com o sujeito.

Exemplos:

O Brasil somos nós.
O Estado sou eu.
Eu não sou eles / Eles não são eu.


Quando o sujeito é um dos pronomes neutros "tudo", "isso", "aquilo" ou palavra de sentido coletivo ou partitivo, o verbo concorda com
o predicativo.

Exemplos:

Tudo são flores.
Aquilo não eram atitudes de um homem.
Isso serão previsões sem sentido.
A maioria eram rapazes.
O resto são bobagens.
O mais eram sacrifícios.

Observação: A concordância do verbo no singular é rara, mas não é incorreta.

Exemplos:

"Tudo é flores no presente." (Gonçalves Dias)

"E tudo é chuvas que orvalham, folhas caídas que secam." (Fernando Pessoa)


Nas frases em que o sujeito sem nenhum determinante vem expressando preço, medida, quantidade, com o qual o verbo ser pode formar também um todo com as palavras "muito", "pouco", "tanto", "demais", "mais de", "mais que", "menos de", etc., o verbo fica no singular.

Exemplos:

Cinco anos era muito.
Trezentos reais por mês é pouco para um trabalhador.
Dez metros de fio é mais (menos) do que preciso.
Sessenta litros de chope será demais para a festa.
Bebidas é coisa fundamental em festas.
Trinta anos é a idade de minha irmã.


Os pronomes inter-rogativos quem, que, o que, em frases com o verbo ser, normalmente exercem a função de predicativo e não de sujeito. Neste caso, o verbo ser não concorda com os pronomes e sim com o sujeito.

Exemplos:

Quem seriam aquelas meninas?
Que eram os ruídos que ouvimos?
O que são impostos compulsórios?


_ VERBO PARECER.

Existem duas possibilidades de concordância quando o verbo parecer vem seguido de um outro verbo no infinitivo.

Exemplos:

As estrelas pareciam caminhar no céu. (verbo parecer, como verbo auxiliar, concorda com o sujeito, e o infinitivo não se flexiona, formando assim uma locução verbal)

"As estrelas parecia caminharem no céu." - Graça Aranha. (parecer, aqui como verbo intransitivo, fica na 3ª pessoa do singular, e o infinitivo se flexiona, formando com "As estrelas" um sujeito oracional: 'AS ESTRELAS CAMINHAREM parecia' - Oração Subordinada Substantiva Subjetiva Reduzida de Infinitivo)

"Mesmo os doentes parece que são mais felizes." - Cecília Meirelles. (parece=verbo intransitivo; QUE OS DOENTES SÃO MAIS FELIZES =Sujeito Oracional: Oração Substantiva Subjetiva Desenvolvida)


_ VERBO HAVER

Quando significa "existir, ocorrer", o verbo haver fica na terceira pessoa do singular, já que ele se torna impessoal, não tendo sujeito.

Exemplos:

Houve fatos marcantes em nossa vida.
Havia milhares de candidatos naquele concurso.
Sempre houve graves problemas sociais no país.
Deve ter havido muitas vítimas naquele acidente.


No entanto, se empregarmos no lugar de haver os verbos existir ou ocorrer, eles concordarão com os seus respectivos sujeitos.

Exemplos:

Existiam milhares de candidatos naquele concurso.
("milhares de candidatos" = sujeito de existir)

Ocorreram fatos marcantes em nossa vida.
("fatos marcantes" = sujeito de ocorrer)


_ VERBO TER - COM SENTIDO DE EXISTIR

Notadamente, o verbo "ter", com o sentido de "existir", vem sendo usado com bastante frequência na linguagem familiar (e literária) brasileira, recebendo aprovação até mesmo de alguns grandes poetas e escritores da nossa língua. Para demonstrar este fato, apresentamos, pelo menos, dois exemplos:

"Tinha uma pedra no meio do caminho..." (Carlos Drummond de Andrade)

"Tem dias que a gente se sente..." (Chico Buarque de Holanda)

No entanto, este emprego do verbo "ter", ainda ausente de grande parte dos textos escritos formais cultos, causa discussões. Quase todos os dicionários insistem em ignorá-lo. O "Aurélio" apenas o registrou em sua última edição (Novo Aurélio - Século XXI, 1999), dando-lhe o status de "popular". Um dos exemplos do dicionário vem da música "Gente humilde": "Tem certos dias em que eu penso em minha gente...". Este dicionário grafa "tem", sem acento, ou seja, no singular. Nesse sentido, constata-se o uso do verbo "ter" à semelhança do verbo "haver", ou seja, com seu emprego invariável.

Exemplos: Tinha um jogador impedido / Tinha dois jogadores impedidos


É bom deixar claro, todavia, que esse uso não encontra registro no texto formal culto (textos técnicos, jurídicos, acadêmicos etc.).


_ VERBO FAZER.

Este verbo, assim como o verbo haver, indicando tempo decorrido ou fenômeno meteorológico, também são impessoais e, por isso, ficam na 3ª pessoa do singular.

Exemplos:

Faz dois anos que estive em Portugal.
("dois anos" = objeto direto)

Faz invernos terríveis na Europa.
("invernos terríveis" = objeto direto)

Há anos não procuro meu primo.

Havia anos que não nos encontrávamos.

Observação: A impessoalidade também ocorre com todos os verbos que expressam fenômenos da natureza como chover, ventar, nevar etc. Contudo, se empregarmos qualquer um desses verbos em seu sentido figurado, eles passam a fazer a concordância com a regra geral.

Exemplos:

Choveu vários dias em São Paulo no mês passado.

Quando eu era jovem, choviam convites para festas. (Aqui, "choviam" tem como sujeito "convites", por isso a razão da concordância.)


_ PRONOMES DE TRATAMENTO.

Os verbos que acompanham pronomes de tratamento apresentam-se sempre na terceira pessoa do singular ou do plural.

Exemplos de pronomes de tratamento: você (originário da forma antiga Vossa Mercê), Vossa Excelência, Vossa Senhoria, Vossa Majestade, Vossa Alteza, etc.

Vossa Excelência está satisfeito?
Vossas Excelências estão satisfeitos?
(Concordância ideológica por se estar dirigindo a uma pessoa
do sexo masculino)


_ CONCORDÂNCIA COM SUJEITO REPRESENTADO POR UM NÚMERO PERCENTUAL.

Quando se tem um número percentual sem o seu especificador, ou seja, quando ele não possui um complemento, o verbo deve concordar com o número da porcentagem.

Exemplos:

Apesar das enchentes, apenas 10% querem mudar de casa.

Somente 22% disseram "sim" ao plebiscito, enquanto 77% optaram pelo "não" e 1% não compareceu às urnas.

Assim, se esse número for inferior a dois, o verbo deve ficar no singular. Ex.: Apenas 1,65% votou naquele candidato; 0,7% achava o candidato honesto; Apenas 1% votaria novamente neste candidato.

Quando a porcentagem vem acompanhada de especificador, ou seja, quando se diz "x% de algo", o verbo passa a concordar com esse especificador, independentemente do número percentual.

Exemplos:

15% do ELEITORADO REPROVOU O PROGRAMA DAQUELE PARTIDO.
1% dos ELEITORES optaram pelo voto em branco.
40% dos lavradores estão preocupados com a falta de chuvas.
30% da lavoura de café foi perdida.

Se o número percentual vier acompanhado de um determinante (pronomes, artigos, etc.), o verbo deverá ir sempre para o plural.

Exemplos:

Esses 5% das ações já me são suficientes.
Os 40% da produção de laranja serão exportados para os EUA.
Uns 15% da população estão desempregados.

Já no caso das frações, as gramáticas dizem que o verbo deve concordar com o numerador da fração, ou seja, com o número de cima. Então, quando se diz "2/3 do eleitorado", o verbo concorda com o número "2", numerador da fração. Ex.: 2/3 do eleitorado recusaram-se a votar em qualquer candidato. Se, porém, tivermos "1/3 dos eleitores", deveremos fazer o verbo concordar com o número "1". Ex.: 1/3 dos eleitores recusou-se a votar em qualquer candidato.

Observação: Notadamente, é esse o padrão adotado pelos grandes e mais conceituados jornais e revistas brasileiros.


VOLTAR À PÁGINA ANTERIOR

VOLTAR À PÁGINA PRINCIPAL