A etimologia ensina que essa palavra vem do latim innocens, inofensivo,
formada do prefixo in, que designa negação e nocens, mau, criminoso. É,
portanto, aquele que é bom, não ofende, não tem culpa no cartório. Numa
acepção mais sutil, é a criatura que simplesmente desconhece o mal, o
estado da criança de menos de 7 anos, a idade da razão, segundo a
doutrina católica. Inocente é o indivíduo ingênuo, às vezes até pobre de
espírito, de notória indigência intelectual. Nessa vizinhança se acham
os chamados inocentes úteis, aqueles que mal percebem, em sua parvoíce,
que estão servindo a causas com as quais jamais concordariam. Aparecem
mais freqüentemente nos momentos agudos de conflitos políticos, quando
as ideologias se exacerbam e podem levar inocentes à forca ou ao
paredão.