Seus ossos, trazidos de Constantinopla para Milão no século V, ali ficaram até 1164, quando foram levados para a Alemanha. Hoje repousam num dos altares da catedral de Colônia.
De acordo com os Evangelhos de Lucas e Mateus, os únicos a descreverem as circunstâncias que presidiram ao nascimento e à infância de Jesus, ele nasceu saudável e "cresceu em idade, sabedoria e graça diante de Deus e dos homens".
Mirra, palavra de origem semítica, fez escala no grego "mýrrha" e no latim "myrra", designando resina extraída de árvores originárias da África, utilizada na fabricação de perfumes e ungüentos. Com o tempo, devido ao fato de a mirra ser utilizada no embalsamento de cadáveres, formou-se no português o verbo mirrar, com o sentido de definhar, ganhar a aparência de defunto.
O outro presente foi ouro, do latim "aurum", ouro, radicado em "aur", palavra pré-romana que já designava o metal precioso. O gramático latino Sextus Pompeius Festus, que viveu no século I, já registra a forma popular "orum", praticada pelos funcionários do Império Romano em suas províncias, inclusive em Portugal e na Espanha. Isso explica que em português seja "ouro", em espanhol "oro", em francês "or", em italiano "oro". Apenas o latim clássico conservou a inicial "a". Todas as línguas-filhas apoiaram-se no latim coloquial.
Diz o Evangelho de São Mateus: "entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe; prostrando-se, o adoraram; e, abrindo seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra". Nenhum dos outros três evangelistas registra o episódio.
Incenso veio do latim "incensum", queimado, do verbo "incendere", queimar, raiz do português "incendiar", mas passou a designar substância resinosa aromática que, ao ser queimada, primeiramente em sacrifícios religiosos e mais tarde em cerimônias litúrgicas, ensejou significado específico a partir do odor penetrante que exala.
Reisado é palavra que se formou a partir de reis, plural de rei, do
latim "rex", mais sufixo "ado". No Brasil designa dança dramática
popular com que se festeja a véspera e o dia de reis, 6 de janeiro. Os
reis em questão são os do presépio, numerados, nomeados e canonizados
pela tradição cristã.
A celebração dos reis do presépio já era muito popular na Europa quando os portugueses trouxeram esse costume religioso para o Brasil. Na Península Ibérica, ainda vigora o costume, consistindo de visitas a amigos e parentes. Pode ser espontânea ou formada por grupos organizados e vestidos com roupas que lembram as vestes do reis magos, cujas imagens o rei Dom José I enviou ao Brasil em 1752 e que estão hoje no Forte dos Reis Magos, em Natal, segundo nos informa Luís da Câmara Cascudo em seu Dicionário do folclore brasileiro .
Os magos viajaram de camelo, que em árabe é "jamal". Predominou, entretanto, a forma grega "kamélos", que resultou no latim "camelus", de onde veio para o português. Animal indispensável aos povos do deserto, capaz de ficar oito dias sem beber, graças a seu reservatório natural, tem duas corcovas. Diz um samba, criado na Imperatriz Leopoldinense: "Mais vale um jegue que me carregue, que um camelo que me derrube... lá no Ceará".
Os dicionários ainda não registram o verbo camelar, sinônimo de trabalhar muito.
teresa97@terra.com.br
[Coluna Língua Viva - JB - 03/JAN/2005]